May/07
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Comunicar é (apenas) preciso
Comunicação é uma das (ou talvez até "A") palavras do momento.
A praticamente todo resultado, seja um desejado sucesso ou um indesejado "não-era-bem-o-que-eu-estava-pensando" se atribui à comunicação como uma de suas chaves.
E não é por menos. É preciso comunicar bem no meio de trabalho, no casamento, na família e na vizinhança. É preciso se fazer compreendido (um EMO provavelmente diria "mas ninguém me entende!") e o único meio para isso é sabendo o quê e como deve se fazer para o ser.
Eu declaro: não sou um bom comunicador. Tenho evoluído muito, é verdade. Mas a cada apresentação ou reunião que faço, percebo que "algo-crucial" não teve sua devida importância ou algo que não era o foco tomou maiores dimensões do que deveria. É normal, é o processo de evolução. Ainda não sou um Edir Macedo, mas estou caminhando (não exatamente o mesmo caminho).
Mas o que às vezes passa desapercebido é que a comunicação é de tamanha importância, porém, de nenhuma eficácia isoladamente.
Os diálogos têm sido usados como bala de prata para se negociar ou esclarecer apontamentos em todo tipo de interação - e de fato, deve ser assim. Mas pouco se nota que a comunicação é usada abundantemente para se resolver conflitos, sendo que, na verdade, esta ferramenta não existe para resolver conflitos.
Conflitos sejam lá quais forem: matrimoniais, corporativos, políticos ou religiosos. Fala-se em muito diálogo e dezenas de reuniões, mas quando a comunicação é usada nesta situação, se torna apenas uma ferramenta de convencimento, persuasão ou qualquer outra classificação de remédio. E remédios, como dizia minha avó, nunca resolveram problema algum, eles apenas atenuam a ferida, apenas empurram a dor para uma segunda chance, esta muitas vezes desconhecida e outras vezes recorrente.
De fato, se usamos outra ferramenta, pouco precisaremos da comunicação, pois esta se torna descartável, dado o tamanho da confiança conquistada. É a ação.
A ação resolve problemas. É a ação que conquista aquele cliente que vai falar bem de seu produto para o colega, é a ação que evitará o descumprimento dos prazos, é ela que possibilitará uma entrega carregada de elogios. A ação poderia evitar os problemas na Palestina, ela poderia evitar os ataques de 11 de setembro, e acabaria com a fome na África. A ação tornaria CPIs desnecessárias, é ela que pode tornar certificados e burocracias cada vez mais obsoletos. É a ação que está cada vez mais intrínseca à Web2.0. É ela que motiva o Rails e o Django, o Python e o Ruby. É a ação. Pura. Simples, mesmo que não seja fácil.
O Bill Gates tem ação. O Linus Torvalds tem ação. O Steve Jobs também.
Que tal então agir, em vez de dar explicações?
Marinho Brandão