Apr/07
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Empreendedorismo Social e o Software Livre
Na quinta-feira passada (29/março/2007) participei de um evento muito interessante da Amcham (Câmara Americana de Comércio) onde um membro da Ashoka apresentou uma boa palestra sobre empreendedorismo social e iniciativas privadas que têm evoluído rapidamente neste assunto.
O apresentador (que eu não me lembro o nome, por falha de memória) se saiu muito bem e demonstrou ter iniciativa e posicionamento nesta área que é tão polêmica e cheia de vertentes. Saiu aplaudido e bem cotado pelos presentes.
Sem querer entrar no campo do empreendedorismo social e de todas as iniciativas que têm crescido no âmbito de investir no potencial humano de classes menos favorecidas, quero apenas colocar uma observação um tanto irônica.
Quando se fala em qualquer tipo de inclusão social, sempre valoriza-se iniciativas privadas e comunitárias que pontuem por esse campo e, claro, essas iniciativas estão virtualmente interconectadas. É até óbvio demais vincular ecologia + sustentabilidade + assistencialismo + marketing verde e uma série de outras formas de se apoiar pessoas e grupos que precisem deste apoio. Logo, seria natural que comunidades de sofware livre fossem automaticamente vinculadas, já que nenhum professor de escola pública tem condição de pagar pelo Windows e Office, seja lá qual preço for. E ainda que a Microsoft seja uma empresa exemplar neste aspecto de apoio social (talvez a maior das grandes) todos sabemos que intencionalmente ou não, a doação de computadores e softwares por parte da empresa de Bill Gates é extremamente salutar ao seu monopólio, já que as bases residencial e educacional (pirata ou não) é que dão sustentabilidade à base coroporativa que adquire os produtos da empresa.
No entanto, ironicamente, a apresentação foi feita em puro Windows XP + Office.
Não estou querendo, de forma nenhuma, acusar o rapaz, que além de muito bem intencionado (e talvez pouco informado no assunto de softwares) tem todo o direito de pagar o preço que quiser pelo produto que bem preferir.
Mas que é um tanto incoerente... isso é. Pois é como um médico falar mal do tabaco portando um belo cigarro aceso à mão. Por mais que seja seu direito, isso tira-lhe a credibilidade para quem tem condições de avaliar pequenos detalhes como este.
Então fica aí a pergunta: como nós, da comunidade de Software Livre, poderíamos apoiar empreendedores sociais neste assunto tecnológico? Como poderíamos alertá-los de que tarefas um tanto corriqueiras, como uma apresentação de slides e de alguns filmes para uma platéia, podem ser feitas no Linux (especialmente o Ubuntu) com a mesma qualidade e facilidade que no Windows?
Como poderíamos ajudar essas pessoas que têm um papel importante de ajudar a tantas outras?
E a pergunta final: o que nos está faltando para levar o Linux às comunidades carentes, em forma de eventos, demonstrações ou que seja apenas como diversão para crianças de creches?
Uma coisa eu garanto: a Tarsila está muito bem ambientada ao Wormux, e a Letícia está muito tranquila com o OpenOffice.
Marinho Brandão